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MAYARA ROSA

EM SÃO PAULO
30.05.2021

Mayara Rosa, 29 anos, nascida e crescida na zona leste de São Paulo, artista da dança e também,  atuo como dançarina, criadora e professora de Hip Hop.

 

Sempre dancei por influência da minha família e religião. Passado um tempo, enxergava a dança como uma válvula de escape para ser o que eu gostaria de transparecer para as pessoas. 

Ultimamente, esse sentimento foi se transformando, e entendo que hoje a arte vem num lugar de poder fazer e trazer revolução. Meu corpo é político, e a partir desse pensamento, entendo que minha presença nos lugares representa algo. Logo, minha arte comunica.

Hoje eu danço pra poder dar voz e ser voz, para ocupar espaços e trazer junto outras mulheres como eu.

Indicaria duas músicas pro momento :

- Sonhando (Drik Barbosa - https://youtu.be/ebdIml5Rr8w)

- Me, myself and I (Beyoncé - https://youtu.be/4S37SGxZSMc)

Se fosse pra elencar uma ou duas, ou três, quais as tribos das quais a Mayara Rosa pertence?

Sobre as tribos, né?

Nossa, achei difícil haha, mas vou elencar quatro. Colocaria que a minha tribo hoje é o projeto Turmalinas Negras, a Casa Artista Pretos da Dança, o Hip Hop, porque é o que me fez movimentar na dança, então pra mim ele está nesse lugar e, também o Budismo. Eu sou budista e as pessoas até se impressionam. A minha família é de terceira geração de praticantes budistas, então, o Budismo me move muito assim também, então eu acredito que é também minha tribo.

 

Como foi que tudo começou essa carreira artística? Foi na dança mesmo?

A minha família é uma família muito envolvida com música, com arte. O meu avô era puxador de samba, minha família sempre foi muito unida com o carnaval, depois de um tempo meu pai começou a cantar e o meu irmão canta. Meu pai sempre foi muito amante do Hip Hop, então tudo que eu conheço, assim, de música, de artista, foi tudo por influência total do meu pai. Então, isso com certeza influenciou para que eu pudesse escolher a arte. Para além disso também, dentro da religião eu faço parte de um grupo de dança só de mulheres que tem dentro da organização budista na qual eu pratico, e minha mãe foi uma das formadoras desse grupo, que hoje é um grupo que é presente em todo o Brasil. Então com certeza a influência do meu pai, da minha mãe, da minha família, sem querer, foi assim, muito importante pra que hoje eu escolhesse a arte como carreira. Eu sempre falo e gosto de frisar isso, que tudo começou dentro de casa, sem eu mesmo saber. Nas festas de família, quando rolava os passinhos, a gente sempre tava envolvida, a gente dançava e nem sabia que aquilo poderia ser como algo que já existe como Hip Hop. Então, tudo o que eu sei começou dentro de casa, desde as músicas, as referências, inclusive a dança. E aí depois disso eu fui me aprimorando, entrando em grupos, me formando em dança também, mais pra frente, mas começou assim com a dança e muito no meio familiar.

 

Dançarina tem voz? E essa voz é pra quê?

Sobre dançarina ter voz, eu acho que todo mundo tem voz, só que a gente sofre muito querendo ser escutada em alguns lugares, eu acho que a dança, assim como qualquer outro meio artístico, sofre por isso. A gente tá aqui fazendo, movimentando, mas existem lugares que querem nos escutar e outros não, e a gente sempre entra numa richa. Então a gente tem voz pra muita coisa, a gente está aqui por muitas coisas. Pra além da gente poder executar a nossa arte, com o mínimo de respeito e valorização pelo que fazemos. Então, falando agora tentando me ausentar um pouco da fala da mulher preta, mas me colocando enquanto classe artística da dança, dançarinas, eu acredito que a gente tá aqui pra conseguir fazer nossa arte com o mínimo de respeito e valorização. Estamos passando por um processo, no Brasil, que é o de não valorização e isso vem só aumentando. Parece que quanto mais o tempo passa a gente é menos valorizado enquanto classe artística e a gente sempre tá correndo atrás do mínimo de estabilidade financeira, do mínimo de estabilidade dentro de algum projeto e aqui as coisas são sempre muito difíceis. Então eu acho que a gente tá aqui justamente pra relutar e pra ter o mínimo, o mínimo de respeito e dignidade com o nosso trabalho, que é um trabalho como qualquer outro. Não sei se ficou muito claro, mas acho que é por aí.

 

No que você acredita na dança?

Eu acredito na dança como ferramenta de descoberta, para além de outras coisas. Mas a primeira coisa que veio na cabeça foi ferramenta de descoberta e eu falo isso no sentido de que a dança me ajudou muito a descobrir quem a Mayara é e pra que que ela tá aqui, sabe? Então eu acredito que muitas pessoas quando decidem entrar na dança é sempre pra se descobrirem em algo, é sempre pra buscar algo maior. Então, eu acredito nessa ferramenta de descoberta, e a dança pra mim tá nesse lugar.

E eu acredito também que a dança tem um papel muito legal e importante que é de fazer as pessoas se socializarem. Esse lance de poder aproximar as pessoas e isso é uma coisa que eu valorizo muito e pra mim também eu acredito que ela tem esse papel. E não romantizando tanto, ela também tem o papel de afastar. Mas eu acho que as pessoas buscam sempre nesse lugar de descobrirem algo, mas ela também tem esse poder de socializar e quanto mais a gente tá fundo, se a gente não tiver uma cabeça firme, ela também tem esse poder de nos afastar às vezes, muitas vezes de muitas coisas. Porque a gente sempre fica no lugar do romantizar, né? E é importante frisar também que assim como qualquer outro espaço, qualquer outra profissão a gente sempre encontra alguns empasses, sabe? Então eu destacaria isso.

Parece uma abstração muito grande e de referências diversas, pra gente que não dança, a criação das suas coreografias. Como é o seu processo, suas referências?

Sobre criação de coreografias pra mim é um processo que depende muito. Eu sou uma pessoa que por mais que eu goste muito de coreografia, eu nesse lugar de coreógrafa, eu sempre me cobro muito e assim como qualquer outra função que eu esteja na dança, como dançarina, como professora, eu sempre me cobro em querer oferecer algo que seja minimamente de qualidade. Então os processos coreográficos muitas vezes, quando é pra aula e eu tenho um trabalho muito grande com crianças e pessoas que às vezes nunca dançaram, eu costumo dizer que é bem fácil as minhas criações. Eu coloco o objetivo que eu quero e trabalho em cima daquilo, que muitas vezes são as bases, os fundamentos do que eu quero ensinar, que no caso é o Hip Hop, então pra mim essas criações elas são muito mais fáceis, e ela vai mudando conforme pra onde ela é direcionada. No caso quando eu vou coreografar um show, por exemplo, eu coreografar a Drika Barbosa, ali muda o lugar de criação, eu tenho que pensar na música que ela tá cantando, eu tenho que pensar no contexto que vai ser aquele show, muitas vezes. E a coreografia se estende, ela é criada para uma ocasião, por exemplo, criei para um show mas aí ela vira a coreografia de todos os shows e é isso. Então, eu tenho que pensar nesses contextos, no que a música me traz, no que eles querem que o show passe e que o balé também passe, e aí é uma pesquisa às vezes até mais profunda. Mas tem que ser algo também que as pessoas assistam e se sintam inspiradas e empolgadas, porque coreografia de show é diferente do lugar de uma sala de aula, por exemplo. Ou quando eu quero criar algo pra mim, ou algo que me desafie mais e aí é um trabalho de ficar sempre escutando muito a música na qual eu quero trabalhar, o que eu quero passar com aquilo e ficar testando sempre movimentações. Eu costumo me filmar muito improvisando, filmar muito as minhas ideias e depois eu olho aquilo de novo e vou testando de novo no corpo, vendo o que funciona e o que não funciona. Então, essa questão de sempre filmar o que eu to criando sempre me ajuda muito também nas criações. Mas acho que é isso, acho que depende muito do lugar pra qual eu preciso criar e aí a forma como eu vou criar e o processo mudam conforme esses lugares.

 

Embranquecimento é uma casca de banana que está aí. É uma parada que não se dá somente pela presença do branco nas coisas. Se dá também quando a gente vai moldando nosso jeito, nossa cultura para caber nos espaços e subjetividades deles. Vai acontecendo com a gente, com o nosso jeito e culturas. Você tem percebido isso acontecendo com o Hip-hop, por exemplo? Com essa parada de a gente perceber uma higienização do gestual, um clareamento nas figuras que aparecem?

Sobre embranquecimento: Com certeza, existe, como qualquer outro espaço, no Hip Hop então? Vish… E assim, eu nem preciso citar exemplos, acho que quando você liga um Instagram ou qualquer tipo de mídia você consegue ver os corpos que “representam” o Hip Hop, nos quais eles acreditam que representam. Não é sobre não poder fazer mas é sobre quem são as pessoas que estão sendo destacadas, fazendo o que é nosso. Então, no Hip Hop não é diferente, na dança também não, e eu sempre comentei essa questão da higienização, de que quando a gente se coloca dançando, enquanto a gente sempre foi colocado no lugar do sujo, do sem técnica, e quando é totalmente o inverso. E eu não tô falando sobre não valorizar a técnica, isso é muito importante, mas o quanto que a gente usa desse discurso pra higienizar as danças das pessoas pretas, então isso é um assunto que a gente sempre fica conversando também, com as pessoas ao meu redor, com as minhas amigas da dança, porque existe, e é aquela coisa: quando um branco faz é interessante, quando o preto faz a gente descarta, é sujo, é feio e aí várias questões. Então na dança não é diferente, existe muito sim.

É um reflexo da sociedade que a gente vive, porque quando eu abro um flyer de um grande evento e vejo que os professores pretos ainda são a minoria, eu não consigo entender porque que isso ainda acontece, mas é porque ainda é reflexo. Então, com certeza a gente ainda passa por esse embranquecimento e no Hip Hop, e na dança, não é diferente.

 

Como é pra você essa coisa de ir alí fazer um trampo nesses espaços de arte, moda, publicidade e voltar pra casa, pra realidade de uma mulher preta. Como você organiza isso nos teus planos?

Eu achei bem interessante essa pergunta, porque tem coisas que eu faço que eu faço não porque eu amo, que eu gosto. O lance de estar na TV, por exemplo, eu não amo fazer isso, mas hoje eu entendi que a gente precisa ocupar esses lugares, porque se a gente que tem a oportunidade de estar lá e não estiver, quem que vai estar? Então, justamente com esse trabalho de formiga, de você estar e abrindo espaços quase que disfarçadamente pra que outras pessoas também futuramente, amanhã ou depois possam estar nesses lugares. Então, o que me mantém com a cabeça muito firme, porque é muito fácil você também facilmente entrar no lugar de ego inflado, de superiorizar esse lugar, é entender o porquê que eu tô ali, então pra mim hoje é muito claro: eu não amo estar aqui, não é o que eu quero fazer até o final da minha vida, mas eu preciso estar, porque é assim que a gente consegue começar a quebrar certos muros que foram criados pra que a gente não esteja nesses lugares. Então, se eu sou interessante estar aqui por algum motivo, talvez porque o meu perfil - a questão do perfil que a gente nunca entende porque existe e que perfil que é esse, mas enfim -, se o perfil da Mayara é interessante estar aqui, então tá bom, eu vou estar, mas vou jogando o jogo deles, mas muito consciente que eu tô movimentando ali de alguma forma, sem deixar de me posicionar, de colocar também as minhas opiniões e de uma forma quase que movendo as estruturas, conseguindo trazer mais pessoas com a gente. É bem por esse caminho também que o projeto Turmalinas Negras surge, pra que eu possa, junto com as minhas, mostrar a nossa potência, o quanto que a gente merece estar nesses lugares. Porque nós somos artistas, somos artistas pretas e a gente também merece estar nesses lugares, porque a gente precisa criar referências pra amanhã, a gente precisa fazer com que a criança olhe e enxergue que ela pode sim conquistar o que ela quer, enquanto criança, enquanto mulher preta quando crescer. Então a gente precisa estar nesses lugares, precisa ocupar pra que cada vez mais pessoas vejam cada vez mais mulheres pretas nesses lugares. É no comercial, é numa capa de revista, é no ballet de uma TV, é no videoclipe, a gente precisa estar nesses lugares, porque eles não querem que a gente esteja, então se a gente ficar esperando que haja uma grande revolução pra que a gente esteja, infelizmente a gente vai ter que esperar muito tempo, então a gente tem que fazer da forma que a gente pode, então se é entrando pelas beiradas e fazendo o nosso movimento é assim que tem que acontecer.

 

Como você classificaria esse interesse publicitário que estas grandes marcas têm lançado sobre a comunidade preta através das mulheres pretas. É positivo? ou você já sacou o golpe?

Essa pergunta, eu acho que tem dois pontos: infelizmente o nosso capitalismo gira em torno do que é falado no momento, então se agora a moda é a gente falar de cabelo crespo porque as pessoas pretas tão aí reivindicando o direito de ter produtos para o meu tipo de cabelo etc., logo uma marca ela entende que ela precisa se posicionar e criar um produto porque é o que vai vender naquele momento, e isso também vai colocar ela em uma classificação das pessoas pretas de uma marca “revolucionária” e vice-versa, isso vai acontecendo sempre com muitas marcas, de diferentes ramos. Então é óbvio que isso não é por uma vontade de fazer revolução ou de que eles entendem que realmente isso é um problema não ter pessoas pretas nesse lugar. É uma necessidade de venda, mundo capitalista e é isso que acontece. Então, é negativo? É negativo, porque no fundo a gente não solucionou nenhum problema né, a gente vai fingindo que tá refletindo sobre algumas coisas mas a gente não tá. Eu não vou falar 100% das marcas porque eu já vi muitas se posicionando de forma real, então os diálogos que eu pude ter com algumas, até vou citar aqui: Nike, Tik Tok, Riachuelo, eu pude comentar, juntamente com as minhas amigas, porque esse trabalho eu fiz com o grupo do projeto Turmalinas, a gente pôde muito colocar sobre essa questão: porque que as marcas só chamam as pessoas pretas em novembro, sabe? Porque até novembro todo mundo quer se movimentar pra mostrar que quer falar sobre corpos pretos? Então é um lance que vem acontecendo e não é de hoje, só que ao mesmo tempo que é negativo porque a maioria não é real esse desejo, o positivo é que linka com o que eu falei na pergunta anterior: a gente precisa estar nesses lugares, de alguma forma ou de outra a gente precisa estar, porque talvez pra gente não seja interessante, mas pra Mariazinha que assiste um comercial e vê uma Mayara, vê mulheres iguais a ela, ela se sente representada. E isso causa um outro tipo de percepção, sobre as coisas, sobre a marca, até mesmo sobre ela poder estar nesses lugares futuramente, ou ocupando outros espaços futuramente de ascensão, de destaque, porque ela merece estar e não é a cor da pele que vai fazer ela se sentir menor. Então é importante, porque de uma forma ou de outra movimenta também, mesmo que a passos curtos, mas movimenta. Mas é assim, é um desejo às vezes não voluntário, é um desejo porque agora é o que ta falando no momento então a gente precisa falar o que ta falando no momento, se a gente não falar a gente tá atrás. Mas essas conversas, elas vem acontecendo com algumas marcas e é sobre a gente realmente refletir sobre como a gente coloca os corpos pretos nesses lugares. Então é sobre ter trabalhos contínuos, pra além da campanha, quantos pretos eu tô colocando pra trabalhar efetivamente? Seja na edição, seja na produção, seja o diretor do vídeo, então eu acho que é mais do que sobre estar só estampado num outdoor, é sobre como a gente tá movimentando nas estruturas da nossa empresa, da nossa marca e acho que é sobre isso, espero que não tenha ficado confuso e que tenham conseguido entender hahaha

 

Qual sua relação com streetwear?

Eu entendo como uma relação forte, e muito por influência da dança. Eu gosto muito de moda, então eu tenho roupa pra qualquer ocasião, praticamente, e a moda mais casual, a moda urbana, ela me acompanha justamente pela dança, pelo Hip Hop, então é muito presente.

 

Na sincera!!! O que você achou das peças da ZMBSTORE?

Eu ameeeei as peças!!!

Inclusive estava com minha camiseta da nova coleção HAHAHAAHHA

 

Como você enxerga esse caminho de fazer parte de organizações pretas e a autonomia em projetos pretos (não depender de recursos de gente branca)?

Tem uma coisa que eu sempre faço e as pessoas ficam até me zoando, que é a questão de: precisamos criar nossos espaços. “Ai Mayara, mas criar espaço hoje em dia às vezes é muito difícil porque as pessoas não querem a gente, e a gente precisa de recurso” e eu concordo com tudo isso, mas eu acho que o quanto que a gente puder fazer por nós, para nós, pros nossos, a gente precisa fazer, sem recurso mesmo a gente faz. Então acho que é muito importante a gente começar a pensar sobre isso e que bom que a gente vê grandes marcas, que a gente vê grandes projetos sendo começados, iniciados de pessoas pretas para pessoas, e sem esses apoios. É óbvio que a gente também tem muitos irmãos que não são pela gente e a gente também tem pessoas que às vezes a gente acha que é inimigo e que tá junto. Mas acho que é muito importante a gente começar a pensar sobre criar os nossos espaços, isso é muito importante.

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Rafa Nunes

RAFA NUNES

NUM ROLÊ PELO CENTRO DE SÃO PAULO

20.01.2021

Rafa Nunes , 21 anos, Poeta, escritor, slammer, roteirista e modelo.

Como e quando começou seu interesse por poesia e sua carreira, qual foi sua trajetória?

Meu interesse pela poesia começou bem cedo, pela arte em si. Comecei dançando aos 6 anos de idade em festas em que eu ganhava premiações como destaque, e fui estendendo isso até os 12 anos, em que me apresentava como cover do Michael Jackson. Mas aos 9 ganhei um diário, e meu dia-a-dia eu retratava muitas vezes rimando, mesmo sem saber. Aos 13 entendi que aquilo era poesia e que eu podia escrever de uma forma que pudesse interligar as pessoas. Mas ainda não me enxergava como artista, foi só com uns 15 pra 16 anos que com o apoio dos meus amigos mais íntimos, comecei a divulgar meus textos nas redes sociais, e isso tomou proporções maiores, até o momento que conheci os campeonatos de poesia falada, o slam e saraus também. Daí não parei mais, corri São Paulo e até outros estados competindo, poesia é um caminho sem volta.

Como é o processo de criação para o os seus poemas/músicas?

Eu costumo dizer que sempre estou em processo de criação, gosto muito de séries e filmes, documentários e me informar sobre o processo de criação de outros artistas que eu gosto, pois uso tudo o que eu tenho para produzir, quanto mais bagagem cultural, experiências e vivência a adquiro, sinto que enriquece minha escrita e o que quero transmitir para as pessoas. Gosto de conhecer pessoas e conversar, porque quando sento para escrever, tudo o que absorvi é usado, em um processo bem íntimo e detalhista quando escrevo. Tudo, nas minhas poesias é pensado.

 

 

Agora falando das roupas. Tirando marca ou modelo, o que esse objeto representa pra você?

Pra mim, representa comunicação, a roupa é uma extensão visual do que, e como você pensa e se coloca no mundo. Desde cores, a cortes, texturas e estilos, amo moda, é um universo que gosto, pois entendo como comunicação.

 

A gente veste idéias. Qual é o papel das roupas no seu corre diário?

Quando me visto uso alguns pilares pra isso, que são, conforto, funcionalidade e originalidade. Se eu não estiver confortável não uso a peça de roupa, se é uma peça que me impede de correr, agachar, pular, fazer coisas corriqueiras também não uso, e também não suporto a ideia de estar igual aos outros, por isso uso muitas roupas de brechó pois além de ser mais sustentável para o planeta, já que a indústria têxtil polui bastante, consigo montar looks que não veem com tanta frequência e me destacar dos demais, não por extravagância, e sim por ter meu próprio estilo. Sou um cara autêntico e que busca sempre pensar fora do senso comum, sinto que minhas roupas devem expressar isso também.

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O que você curte fazer nas horas de lazer?

Gosto de escrever, dançar, ouvir muita música, andar de bicicleta, fazer boxe e conversar com quem eu gosto. E ah comer, comer besteira rs.

O que tá tocando nos fones nos últimos dias?

Ultimamente tenho ouvido muito Drake, Pirâmide Perdida, Sain, Reinaldo, Jay-Z, Pop Smoke e varios artistas do Brasil que fazem Drill, Drill é o futuro mano!

O que você achou das peças da coleção de verão?

Sinceramente? Achei muito muito foda! Camisetas com um caimento perfeito, e cortes diferenciados, bem como eu gosto! Qualidade dos acessórios, das bags, se equiparam a qualquer grande marca que o pessoal tá acostumado a comprar. Fora que achei super jovial e que comunica com a juventude, não é mais uma marca que lança estampas de personalidades pretas e só. Achei o conceito muito bem encaixado. Zumbiido é foda! Poucas!

Como a mensagem da marca chegou até você?

Sempre acompanhei a marca, e o bloco, então sempre estou vendo os lançamentos, e as pessoas que fazem parte são meus amigos também. Compactuo muito com a linha de pensamento da marca, a produção, tudo, então acho que chegou de forma natural. Mas nunca escondi a vontade de querer trabalhar ou fazer parte rs.

O que é autonomia para você?

Pra mim é a vontade e capacidade de se autosustentar e governar sabe? Não depender de nada e de ninguém, tem a ver com autossuficiência e organização. Autonomia vem do espírito, um ímpeto forte que nada contra aquilo que é imposto pra gente, e você conseguir se opor a isso de forma plena.

Plano futuro/ novidade pro mundo:

Meu plano para o futuro é investimento, financeiro e intelectual, tô tentando passar pros meus pretos que os frutos disso quem vai colher são filhos, netos e olhe lá, mas que esse é o caminho, construção imediatista é querer dar passo maior que a perna, paciência, persistência e organização são o rolê! Novidade pro mundo é o Drill rs, mas falando sério, acho que não tem muita novidade, tudo já tá aí, a gente tem que usar nossa memória e sabedoria ancestral pra resgatar o que já foi semeado, plantar e colher direito dessa vez. Fé!

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